terça-feira, 30 de novembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Tributo


Talvez muitos dos meus poucos leitores considerem uma heresia o fato de eu não escrever nada sobre o show do Paul, afinal, fui assistir a um beatle na minha própria cidade. Mas verdade é que, como afirmara a Kátia Suman, não há nada de original que se possa realmente dizer do que foi a experiência. Sublime e ponto final. E verdade também é que ultimamente não tenho conseguido ouvir outra coisa que não seja Billie Holiday – o que também pra muitos dos meus poucos leitores não é uma novidade. Mas ando meio rouquinha e, por isso, consigo me divertir sozinha, na frente do espelho, imitando os vocalizes da diva do jazz. Me faltaria talvez alguma dose de heroína pra entrar deep-inside-the-broken-heart-rastejante – mas no momento tá bom assim, he. E o jazz mexe, como a própria palavra sugere. Demais. Vai lá no fundo mesmo. E Billie é visceral e deliciosamente imperfeita. She takes all of me. Sorry, Paul.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


Céu com pouca nuvem e vento leve
É acalanto pros olhos
É colo de mãezinha
Paz nos devaneios.

Mostra-me um dia ameno
Que eu te mostro um olhar ameno
Uma respiração profunda
Um presente satisfeito.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O vento dos finados


Em dia de finados (ainda que hoje seja de Todos os Santos), é quase impossível manter as portas abertas dentro de casa. Há sempre um vento tão gostoso quanto misterioso, que bota folhas, galhos e pólen a fazerem um balé circular no ar. A quietude do dia é quebrada por esse rufar do vento sem direção definida.

Será então essa a voz dos mortos? Onde termina o mito e começa de fato a natureza?

Talvez eu nunca encontre resposta. Enquanto isso, estendo minha rede na varanda, embalada pelo vento e pela companhia de um bom vinho.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Final feliz é sempre massa



Ser feliz é complicado
bem mais fácil é sofrer
e ficar parado
sem saber o que fazer

Eu não sei o que fazer
vou fazendo mesmo assim
eu não vou ficar esperando
alguém fazer por mim

Vou deixar o sol entrar
acabar com a escuridão
abrir a janela do quarto e gritar para o mundo
eu quero outra chance!

Alguém vai escutar
alguém que vai sorrir
alguém que como eu cansou de desistir

Vou abrir meu coração
alguém vai escutar
então vou deixar o sol entrar.

Nico Nicolaiewsky

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Do que vale a pena em PoA

Nico, o maestro Tiago Flores e Fernanda Takai no ensaio
Um piano de cauda, uma orquestra de câmara, músicas populares em vozes populares. Fui ontem assistir a Nico Nicolaiewsky tocando e cantando com Fernanda Takai, acompanhados da orquestra da Ulbra, no salão de atos da Ufrgs, por módicos 15 reais, ingresso mais barato que três pares de meia na C&A. A voz dela um veludo, as letras dele como palavras deliciosamente lapidadas no cotidiano, sério, queria eu ter escrito todas elas. Além dos talentos, a irreverência dos dois em contraste com a solenidade da orquestra dava à noite uma estranheza gostosa, uma vontade de ficar ali, só me alimentando da catarse e esquecendo o mundo lá fora. E viva Villa-Lobos, pois talvez sem suas ousadias passadas eu não teria vivido o que vivi ontem.

sábado, 9 de outubro de 2010

Vaca de exposição

Vaca "Eu sou de chita!" Artista Lídia Fabrício

- Oi, vó!

- Oi, querida. Onde tu tá?

- Tou dando uma volta pela cidade pra ver as vacas da Cow Parade.

- Ver o quê?

- Aquela exposição de vaquinhas coloridas! Que saiu no jornal, sabe?

- ...

- Vó?

- Tu tá na Expointer?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

He is the walrus!


Tenho me lembrado muito daquela musiquinha do Tavito... “e o som dos Beatles na vitrola/será que algum dia eles vêm aqui/cantar as canções que a gente quer ouvir”.

Um beatle vem a Porto Alegre. À nossa província de São Pedro.

Tá certo que não são os Beatles, tá certo que o Paul tá uma velha retalhada. Mas é o Paul e tudo o que ele representa. E vai tocar I’ve got a feeling, Eleanor Rigby, Blackbird, Back in USSR, além das fantásticas músicas gravadas com os Wings, como Jet, Band on the run, Let ‘em in, entre outras. E eu vou ouvir ao vivo a voz que cantou no telhado da BBC, que virou noites compondo com John Lennon, que alimentou minha imaginação de criança toda vez que eu via meu pai e meu tio pegarem o violão.

Queria escrever algo mais inspirado, afinal, esse é um dos eventos mais aguardados da minha vida. Mas às vezes o excesso de êxtase tira a palavra. Eu estou contando os dias, as horas. Depois de amanhã, quando começarem as vendas dos ingressos, é um-dois-três-e-já, o primeiro vai ser meu.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Escrito num dia nublado

Cena antológica de "Asas do desejo", de Wim Wenders,
um dos filmes mais lindos que já vi na vida.

Acabou-se aquilo que era doce
Ficou o gosto de cinza da rua
Fuligem de caminhão e de amor barato.

Quem dera um anjo inventasse uma sonata
Pra quebrar o gris do dia.

Quem dera um anjo
Desenhasse um tango na calçada.

Quem dera um anjo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Portabilidade


Conversa entre marido e mulher, logo após ela aguardar o período de portabilidade, para reaver seu número no aparelho celular novo:

ELA: Onde estão todos os meus contatos???

ELE: Os contatos não se recuperam, meu amor. A não ser que tu tenhas o chip antigo...

ELA: Não, não pode. Não é assim, eu li em algum lugar que dava...

ELE: Mas isso é fisicamente impossível de acontecer.

ELA: ...

ELE: Minha linda, não sou eu que faço as regras. Eu só explico elas pra ti!