sexta-feira, 9 de julho de 2010

You say it's your birthday


70 anos do Ringo Starr, dá pra acreditar?! E foi comemorado de uma forma muito emocionante, principalmente pra nós, fãs de Beatles. A matéria que segue abaixo está no blog da Rolling Stone, onde também dá pra conferir a canja.

Ringo faz aniversário, público ganha presente

Na noite da última quarta-feira, 7, Ringo Starr comemorou o seu 70º aniversário em show no Radio City Music Hall, em Nova York. De surpresa, Paul McCartney se juntou ao aniversariante e tocou "Birthday", do clássico Álbum Branco. Starr assumiu a bateria, enquanto Paul tocou baixo e deu conta dos vocais. Os dois também dividiram o microfone e cantaram "With a Little Help From My Friends". E não foi só isso: Yoko Ono foi outra convidada do ex-beatle.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Copa do mundo: Para quem torcer na final?


Essa é uma dúvida que me inquieta naqueles momentos em que o pensamento toma conta, como quando vou lavar a louça, dirigir sem o som do rádio ou tirar os pelos da sobrancelha. Para quem torcer na final, afinal? (Isso dá samba). E fico ligeiramente dividida entre meu orgulho brasileiro de vibrar pela Holanda – já que fomos eliminados, pelo menos foi pelo campeão do mundo – e minha pequena dose de complacência ao levantar a bandeira da Espanha, uma vez que o país ibérico não teve relação direta com o Apartheid. Estou mais inclinada a seguir a segunda opção, pois sou mais humana do que brasileira nesses casos, e seria uma covardia a Holanda ganhar uma Copa em solo sul-africano.

(Mulher com TPM pensa demais, até em futebol, e acaba misturando as coisas. Que perigo.)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ensaio sobre o legado


Demorou pra me cair a ficha de que Saramago morreu. Ele, que já cogitara (em um desses exercícios de abstração fabulosos que só o texto ficcional permite) uma situação em que a morte tira umas férias.

Já era um clássico, e talvez por isso meu espanto com a sua ida: esses seres morrem? Têm fibras? Carne? Osso? Fazem compras, vão ao banheiro, irritam-se com serviço de telemarketing? Saramago foi controverso, político, antipático, imperfeito. Mas esse era o homem-da-rotina, o que usava cuecas, água-de-cheiro. Se essa não é a face do autor (e sim da pessoa), ao menos Saramago era um clássico que tinha um blog e que dava depoimentos em documentários. Com oitenta e sete anos.

E com oitenta e sete anos ainda estava publicando livro (por sinal, o último livro que li nas minhas férias, “Caim”). Logo se vê que o corpo se aposenta, mas a mente se fortalece com o tempo. E com a morte, a palavra é somente o que permanece.

A herança que o autor deixa se inventaria nas imagens que cada leitor cria. Eu mesma posso dizer que estive cega naquele hospital supervisionado por futuros-cegos; sofri os dramas existenciais de Jesus, parti em busca da maior flor do mundo, tornei-me atrapalhadamente imortal e atravessei mitos bíblicos com Caim. Se eu pudesse dizer ao menos uma palavra para esse homem-condão que morreu sem saber da minha existência, lhe agradeceria cada momento que vivi nas suas histórias que, sem dúvida, atravessarão os tempos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Parca experiência


Há de se ter algumas certezas na vida.
Poucas, mas substanciais.
Sei exatamente onde neste momento se encontra meu caderno de rabiscos
Sei também como se faz pra fechar o registro do chuveiro
Como traçar uma linha bem reta com giz na calçada.
Sei também como começa um poema do Manuel de Barros
Como trocar as cordas do violão
E como fazer para parar um soluço.

Me faltam algumas certezas, é verdade.
Algumas três vezes tive de voltar à cozinha
Pra me certificar de que o fogão estava desligado
Tive de voltar pra fechar as janelas antes do temporal
Tive de ficar bem quietinha pra não dar mancada.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Inferno astral

ADOLESCÊNCIA TARDIA?

Daqui a vinte anos
Quando eu comemorar meus cinquenta
Vou fazer finalmente uma tatuagem
Em algum pedaço de pele que não tenha caído.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Texto na Zero Hora



Confiram o texto que publiquei na ZH sobre a Protásio!

Tá batidinho, cheio de chavão, mas modéstia à parte tá bem meigo.

domingo, 11 de outubro de 2009


A bisa mulher centenária
Das mãos de sauro
Tornou a morte tão real quanto o tricô na varanda
E o bordado caprichado.

Tão real quanto o bolinho de arroz
E a ambrosia quente na panela.

As mãos aposentadas da bisa
Viraram peças de mostruário
(As unhas sempre feitas
Finalizando o caminho sinuoso de pele, rugas e veias).

No seu leito de morte,
Pude jurar que, daquelas mãos empalhadas
Incrivelmente imóveis,
Ainda exalava o cheiro da lâ e da gordura.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cheiros



Ponho o nariz pra fora da sacada e sinto o cheiro do cachorro sujo da vizinha que mora no térreo. Se o sol ameniza alguns odores, potencializa outros bem piores.

***

Uma vez senti um cheiro apetitoso que vinha da cozinha. Perguntei à minha mãe o que estava preparando no fogão, ao que ela riu e disse que fervia os panos da casa.

***

Às vezes confundo o cheiro do papel queimando com o do açúcar caramelizado, o que já me rendeu prazeres furtivos seguidos instantaneamente de um breve pavor, ao subir as escadas do meu prédio.

***

O cheiro de vela apagada que a alguns lembra aniversário a mim lembra fim de velório e, por consequência, o cheiro do pó-de-arroz que a bisa sempre usava.