Volta & meia olhar pela janela. A janela viva dos olhos, dos meus, dos teus, dos nossos. Volta & meia inventar alguma coisa, recriar espaços, palavras, voltas e meias. Literomputador, celulose virtual.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Tema para perfil de rede social
Não sei ser poser, não sei ser hype. Gosto de orquídeas, do Cortázar, dos quadros do Pollock, de um bom vinho e dou um braço pra ficar na minha. Quanto mais luz há perto de mim, mais estou na sombra. Tou dentro do sistema porque preciso pagar minhas contas e minhas pequenas concessões, mas não tou na moda. Tenho minha vaidade, amparada por alguns artificialismos, mas sou eu que pinto minhas unhas. Tenho minhas crenças mas não sou sócia de nenhum clube. Sou mais a palavra bem-dita do que a imagem vazia, mas não tenho citação bonita pra um testemunho virtual. E se essa sou eu, amanhã posso bem não ser.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
A máquina da máquina
Durante uma atividade proposta em sala de aula, rola o seguinte diálogo:
ALUNO: ...e o que teu pai faz?
ALUNA: Meu pai vende máquina.
ALUNO: Máquina?! De quê?
ALUNA: De fazer máquinas!
ALUNO: ( ! )
...
ALUNO: Tá, e que mais que teu pai faz?
ALUNA: Ele também vende peças.
ALUNO: Peças do quê?
ALUNA: ... das máquinas que servem pra fazer outras máquinas!
sábado, 30 de julho de 2011
O que ficou da leitura de "O morro dos ventos uivantes", de Emily Bronte.
Do que fica nessa vida
Me resta a memória dos livros que li agora.
Meus personagens de lata, minhas paragens inóspitas, minhas imagens secretas
Meus vãos.
Minhas nuvens de sangue, meu choro vago
O riso convulso de quem de fato não existe
A morte que simplesmente morre
A noite
O mar
A exatidão das minhas frestas.
terça-feira, 12 de julho de 2011
O gigante
![]() |
| "É preciso ser leve como um pássaro, não como uma pluma". (Paul Valéry) |
É um gigante no escuro
Que quando vem a luz
Estampa um sorriso vacilante
Entre a timidez da incerteza
E a expectativa da possibilidade.
Recomeço pois
A passos miúdos
Descobrindo que as pedras se movem
Ao longo do caminho
E o gigante - companheiro orelhano
É meu anjo sem asa
Sem fé
Sem rosto.
domingo, 10 de julho de 2011
Retornando aos poucos
Tu peux naître au bon endroit
Avec une mère qui t'aime
Un père qu'est là
Une famille entière autour de toi
Un amour sincère pour guider tes pas
Tu peux naître orphelin
Dans un endroit synonyme de rien
Avec un quignon de pain pour destin
Et en horreur le genre humain
Mais...
Avec une mère qui t'aime
Un père qu'est là
Une famille entière autour de toi
Un amour sincère pour guider tes pas
Tu peux naître orphelin
Dans un endroit synonyme de rien
Avec un quignon de pain pour destin
Et en horreur le genre humain
Mais...
C'que tu fais
C'est ta réalité
C'que tu fais
C'est ta réalité
C'est ta réalité
C'que tu fais
C'est ta réalité
Tu peux être soudanais
Entre la charia et l'armée
Voir ton avenir enchaîné
A ce système que tu hais
Alors tu vis ta vie
D'un trait
Sans savoir qui tu es
Avec pour seul fait
Ta misère et ta mosquée
Tu peux être soudanais
Entre la charia et l'armée
Être prêt à prendre des coups de fouet
Parce que tes dreadlocks ont poussé
Te boire une rebiè
T'évader à danser
En sachant que c'que tu fais
Pourrait t'emprisonner
Entre la charia et l'armée
Voir ton avenir enchaîné
A ce système que tu hais
Alors tu vis ta vie
D'un trait
Sans savoir qui tu es
Avec pour seul fait
Ta misère et ta mosquée
Tu peux être soudanais
Entre la charia et l'armée
Être prêt à prendre des coups de fouet
Parce que tes dreadlocks ont poussé
Te boire une rebiè
T'évader à danser
En sachant que c'que tu fais
Pourrait t'emprisonner
Tu peux vivre
Une cité pourrie
Avec ton pitt et tes amis
Ton hall, ta "8-6", ton te-shi
Et la police comme seule ennemie
Tu peux vivre
Une cité pourrie
Avec ton week-end comme seul ami
Ces deux jours sacrés pour une autre vie
Prendre le temps de bouger
Trouver tes envies
Tu peux tabasser tes gosses
Entre ta femme et ton divorce
Tu peux trouver la vie si féroce
Qu'alors tu baignes tu passes en force
Tu peux ne pas faire d'enfant
Te dire qu'être père
Ca prends du temps
Revoir ta vie d'adolescent
Et pas refaire
C'qu'ont fait tes parents
Une cité pourrie
Avec ton pitt et tes amis
Ton hall, ta "8-6", ton te-shi
Et la police comme seule ennemie
Tu peux vivre
Une cité pourrie
Avec ton week-end comme seul ami
Ces deux jours sacrés pour une autre vie
Prendre le temps de bouger
Trouver tes envies
Tu peux tabasser tes gosses
Entre ta femme et ton divorce
Tu peux trouver la vie si féroce
Qu'alors tu baignes tu passes en force
Tu peux ne pas faire d'enfant
Te dire qu'être père
Ca prends du temps
Revoir ta vie d'adolescent
Et pas refaire
C'qu'ont fait tes parents
Tu peux choisir la musique
Avoir un père directeur artistique
Connaître Santi et ses indics
Qui feront de toi
Une star académique
Tu peux choisir la musique
Pour avancer pour que ça communique
Prendre en chemin le monde artistique
Pour lui garder sa fierté mystique
Avoir un père directeur artistique
Connaître Santi et ses indics
Qui feront de toi
Une star académique
Tu peux choisir la musique
Pour avancer pour que ça communique
Prendre en chemin le monde artistique
Pour lui garder sa fierté mystique
sábado, 19 de março de 2011
Achados
Mexer em gaveta velha sempre rende boas lembranças. Mas o engraçado foi agora encontrar, depois de mais de dez anos, um caderno de poesias. Velhas. Ingênuas. E o que me surpreendeu não foi nem isso, mas sim encontrar, nesse caderno uns poucos textos em prosa que escrevi... Não tenho o menor registro deles na minha memória, mas enfim.
Segue um deles, bizarro, atemporal, mal-escrito e quase apócrifo, não fosse a identificação da minha caligrafia. Não que eu seja uma Alfonsina Storni da vida, uma Florbela Espanca, ou mesmo uma Clarice Lispector hoje em dia, mas pelo visto o tempo fez um bem pras minhas palavras...
"Ele já sem forças naquela cama asséptica do hospital, olhando para as paredes do quarto assépticas, procura a luminosidade do sol que entra pelos frisos da janela. Vira-se para Ela que, sentada na poltrona auxiliar, tece os últimos fios daquilo que, sem saber, seria sua própria mortalha numa manhã cancerosa de outono.
"Enfim, casaste com meu dinheiro, não foi? Ela, impávida, dirige a ele um sorriso frio e já exausto. Volta para suas agulhas. Agora só falta dizer que nunca havias pensado nisso, o que é isto, estás ficando maluco. Mas eu bem sei, suportaste a vida ao meu lado, calada, casada comigo e amancebada com meu dinheiro.
"Ela já não levanta os olhos a ele. Apenas suspira e segue seu tramar. Ele, cansado e fraco, dá um gemido estertoroso sem perceber o movimento da mulher, que apaga a luz da cabeceira, acrescenta mais uma dose de morfina no soro dele e vai embora dizendo entre os dentes: velho escroto".
Segue um deles, bizarro, atemporal, mal-escrito e quase apócrifo, não fosse a identificação da minha caligrafia. Não que eu seja uma Alfonsina Storni da vida, uma Florbela Espanca, ou mesmo uma Clarice Lispector hoje em dia, mas pelo visto o tempo fez um bem pras minhas palavras...
"Ele já sem forças naquela cama asséptica do hospital, olhando para as paredes do quarto assépticas, procura a luminosidade do sol que entra pelos frisos da janela. Vira-se para Ela que, sentada na poltrona auxiliar, tece os últimos fios daquilo que, sem saber, seria sua própria mortalha numa manhã cancerosa de outono.
"Enfim, casaste com meu dinheiro, não foi? Ela, impávida, dirige a ele um sorriso frio e já exausto. Volta para suas agulhas. Agora só falta dizer que nunca havias pensado nisso, o que é isto, estás ficando maluco. Mas eu bem sei, suportaste a vida ao meu lado, calada, casada comigo e amancebada com meu dinheiro.
"Ela já não levanta os olhos a ele. Apenas suspira e segue seu tramar. Ele, cansado e fraco, dá um gemido estertoroso sem perceber o movimento da mulher, que apaga a luz da cabeceira, acrescenta mais uma dose de morfina no soro dele e vai embora dizendo entre os dentes: velho escroto".
domingo, 27 de fevereiro de 2011
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